Claro que em diversas atividades, principalmente as manuais e repetitivas, isso é cada vez mais possível.

Desde que me conheço como profissional, leio e ouço dizer que a máquina vai substituir o homem.

Por outro lado, atividades que exigem a análise e o conhecimento técnico mínimo de algumas ciências, além de conhecimentos de mercado, do ambiente e do negócio em que se está inserido, vão demorar mais ou sempre vão exigir alguma intervenção humana.

No processo de planejamento de demanda, isso é um fato. Soluções padrão prontas não conseguem capturar as peculiaridades de cada empresa e de cada negócio. E quando se trata de Vendas Diretas, onde a vitrine é o catálogo de vendas e o poder de influência da Consultora/Revendedora sobre a decisão de compra do consumidor é enorme, isso é uma certeza.

Via de regra, a velocidade do aprendizado dos modelos não supervisionados (“machine learning”) não é suficiente para atender a necessidade de revisões nos números futuros, quando uma surpresa (para cima ou para baixo) acontece. A reação exigida é muito rápida e todo o horizonte do planejamento deve ser revisado.

A intervenção humana, então, é necessária para que o aprendizado do modelo seja acelerado e consequentemente, as previsões mais acertadas.

Isso não quer dizer que a máquina não vai agregar e ajudar o homem nessa área. Em um negócio em que não haja um número muito grande de variáveis que impactam na demanda e que não haja uma grande instabilidade em termos de ofertas, “merchandising”, ações de campo e nos pontos de venda, o “baseline” deverá ter previsões bastante consistentes e que vão gerar muito ganho de tempo e recursos.

Ao mesmo tempo, vale ressaltar que o conhecimento do negócio e de metodologias analíticas robustas podem gerar ganhos em outros momentos: os de investigação de dados ou análises mais profundas.

Em um mundo em que os dados são cada vez mais disponíveis, a mineração de dados (“data mining”) torna-se ferramenta essencial para as empresas buscarem a transformação de dados em informação, base para a tomada de decisão. E, com o correto direcionamento da busca pela informação, com o uso de técnicas estatísticas simples e domínio das variáveis que impactam na demanda, o ser humano torna-se aliado da máquina, fazendo com que ela possa ser mais efetiva e rápida, podendo gerar diferencial competitivo para as organizações.

Por isso, afirmo que no processo de planejamento de demanda, assim como em outras áreas/processos com perfil mais analítico, existe um grande potencial de coexistência entre homem e máquina, ocorrendo a perfeita harmonia entre eles.

Texto elaborado pelo consultor Alexandre Cardone Narchi.